segunda-feira, março 06, 2006

Uma historinha babaca

Uma das minhas tias me contou um caso ontem que me fez morrer de rir. Óbvio: história de ex-namorado se fodendo faz a gente abrir um sorriso enorme, no mínimo. Não resisti e tive que postá-lo aqui no blog. Não vou citar nomes nem locais, mas quem me conhece certamente vai identificar os personagens envolvidos. Vamos lá.

Segundo minha tia, ela estava com o filho numa locadora quando avistou um de meus ex-namorados, com uma garota a tiracolo. O sujeito em questão se revelou um tremendo filho da puta no final do namoro; mas titia, sempre espansiva e sociável, não viu problema algum em cumprimentá-lo (e afinal, ele havia pisado no meu calo, e não no dela). Só que o moço não pensou da mesma maneira: viu meus parentes, fingiu não ter notado e virou as costas.

"Ah, mas isso não vai ficar assim, não!", pensou minha tia. Ela foi até onde o distinto casal estava, plantou-se bem na frente deles e falou:

- E aí, Fulano, tudo bem? Lembra de mim, né?!

Ele ficou branco que nem papel e confirmou, transtornado. De propósito (claro), ela fez questão de estender o papo por alguns minutos (que pela cara dele devem ter durado uma eternidade), falando amenidades como "Você se lembra que eu moro logo ali em cima, né?!", "Mas e aí, como está indo na faculdade?". O cara ficou num cagaço tão grande que sequer apresentou a moça que estava com ele, que tinha um sorriso amarelo engessado no rosto, certamente se queimando de vontade de saber "de onde raios ele conhece essa dona aí" (ou se ela for mais perspicaz: "porque meu fofucho está tão incomodado com ela?").

Titia se despediu, levando o DVD que queria, saiu da locadora e pegou o carro. Ao passar na porta da mesma, viu que o cara tinha largado a acompanhante lá dentro e estava do lado de fora fumando um cigarro, em visível estado de nervosismo. Final perfeito para uma reação tão pateta.

Quando um namoro acaba, cortar relações é normal e esperado (e até mesmo saudável): não sou do tipo ex-namorada-que-ainda-é-o-xodó-da-sogra, não telefono pra desejar Feliz Natal e não fico sondando colegas em comum para saber como está a vida dele. Quem não faz isso acaba virando uma sombra desagradável e pentelha na vida do cara, e que por mais que ele reclame ainda o faz sentir uma pontinha de orgulho ("Ela ainda pensa em mim!"). Mas caso eu veja um parente ou amigo de ex, dou no mínimo um aceno de cabeça discreto, estando acompanhada ou não. Se a pessoa retribui, ótimo; senão, paciência.

Será que ele imaginou que eu pularia de repente de trás da minha tia? Ou ficou com medo dela falar qualquer coisa como "Ih, moça, toma cuidado porque ele é terrível!". Tá certo que essa minha tia é meio sem noção com as palavras, mas não é pra tanto. Uma terceira explicação possível: o cara é um babaca e ponto final. Sei que sou suspeitíssima pra falar, mas minha experiência aponta para essa hipótese aí.

Conclusão? Nem um pouco original: esse tipo de homem só tem cara-de-pau para dizer "eu nunca conheci ninguém assim antes" com uma semana de namoro ou para te plantar um pé-na-bunda por telefone.

Homens, homens...

3 comentários:

Senhor Lancaster disse...

Você é tão provinciana...
Levou um pé na bunda de um espertinho e fica pro resto da vida destilando bronca contra ele, culpando até mesmo os "homens" pela sua própria incompetência.

Gabriela, é tudo muito simples: para que um homem USE uma mulher, é preciso que ELA se DEIXE usar.
Você se deixou usar, entrou no jogo de sedução do cara, ele se divertiu e te jogou fora.

Muito pior fez sua tia, que tomou suas dores e foi lá tirar satisfação com o cara, disfarçando tudo com o melzinho da "cortesia". Ficou parecendo que você não tem condições de enfrentar o cara e a tiazona véia precisou interceder ao seu favor.

Percebeu o papelão que você e a tia velha fizeram?

Entenda: relacionamento terminado é relacionamento morto. Ficar dando tchalzinho, dizendo bom-dia, é demonstrar ESPERANÇA DE REATAR!

E você não se conforma de ter sido chutada.

Conforme-se. E pare de bancar a provinciana.

Gabriela Iscariotes disse...

Tá certo, errei ao generalizar. Só não entendi onde entra a minha suposta imcopetência.

Sim, só é usado quem se deixa usar, mas quando você sabe na fogueira que tá entrando. Cartas na mesa, eu aceito ou não. Não aguento mulher que vai na lábia de canalha assumido achando que vai mudar o cara e depois fica de mimimi porque não conseguiu. Mas quando o cara se faz de fino por mais de um ano e só depois põe as garrinhas de fora é bem diferente. Não me senti usada e aproveitei bem as cervejas, as saídas e as trepadas, mas que foi um final bem escroto, foi.

Não tenta achar pelo em ovo, moço: minha tia não foi peitar ninguém, só quis dar oi e insistiu por birra. E ficou espantada com a bundamolice do sujeito, que tremeu feito vara verde com a presença dela. Ao meu ver, o papelão foi dele.

Cumprimento CONHECIDOS de ex, mas cumprimentar o próprio é pra quem tem sangue de barata. Quem tem esperança de reatar são aquelas que vivem na casa do sujeito e são adoradas pela mãe, pelo pai, pelo melhor amigo, pela avó, pelo cachorro, por todo mundo que rodeia o cara, menos pelo próprio. Mas ela acha que é questão de tempo e que um dia ele vai notar que ela é a mulher da vida dele, nem que seja daqui a uns 30 anos e depois de ter comido várias outras.

Já me conformei: ficar remoendo raivinha é bobagem e dá câncer. Mas que morri de rir ao saber do aperto que ele passou, não posso negar.

Red's disse...

Hello!!
Descobri seu blog hoje e já coloquei link no Mesa. Adorei!
E quanto à história, leia meu drama a respeito do templo evangélico... e veja porque vou precisar tomar Prozac.
Beijos