domingo, janeiro 04, 2009

"Frank Miller's 'The Spirit' is a piece of crap"

Não cheguei a comentar aqui no blog, mas qualquer um que se interesse um pouquinho por cinema deve saber da adaptação que o Frank Miller está fazendo do Spirit. O pessoal que ama cinema, então, tá seguindo de perto, cada vez que ele soltava um pôster ou um tease-trailer. Mas o "seguindo de perto" não significa aprovação. Os motivos? Vejam bem:

Isso aqui é o The Spirit original, criado pelo titio Eisner:


E essa é a versão do Frank Miller:



Quem mais aí tiver pensado em "Sin City" levanta a mão.

Eu conheço pouquíssimo dos roteiros do Miller pra falar com conhecimento de causa, mas gosto bastante do traço dele. Ler, pra valer, só li o 300 e algumas histórias de Sin City, e tô com o Cavaleiro das Trevas há tempos no meu HD só esperando uma oportunidade (e eu acho que vai continuar esperando por um tempo, capaz de eu passar os trabalhos do Allan Moore na frente).

Eu acho que o cara tá perdendo o foco: desde Cavaleiro das Trevas 2 (googleiem e vejam do que estou falando) que as histórias dele estão descendo ladeira e raramente sai algo que preste. Batman All Star é uma bela porcaria, e a premissa do Sin City, que era deveras interessante quando surgiu, já está desgastada. Virou fórmula: os personagens são muito parecidos uns com os outros, sempre vai ter um brucutu que no fundo é gente fina, uma mulher ultra sensual e ligada à putaria que é a maior chave de cadeia e fonte de encrenca, e dá-lhe pancadaria e cena de ação estilizada e fugas alucinadas, etc. Só mudam os nomes e alguns detalhes dos acontecimentos, que nem os livros do Dan Brown.


Pra piorar, o sucesso do Sin City versão cinema fez crescer o ego do cara. Ele deve ter achado aquilo tão genial, tão lindo, tão fodástico, que agora todo mundo vai ser obrigado a engolir tudo o q ele fizer naquele estilo, porque vai ficar tão fodão quanto. Ou então de tanto usar a tal "fórmula Sin City" ele passou a ver tudo sob aquela ótica, e acha possível pegar qualquer história e encaixar naquele clima. Capaz dele pegar até filme dos Trapalhões e refilmas preto-e-branco, com contraste estourado e detalhezinhos coloridos chapados.

(pausa pra me mijar de rir imaginando o resultado)

E momento prontofalei, mas confesso q não achei o filme Sin City grande coisa. O visual é de babar, mas o andamento das histórias é péssimo, corrido demais, mal dá tempo de rolar uma empatia pelos personagens e a história acaba (senti isso principalmente na primeira, e olha que o Marv tinha potencial). Mas é aquele tipo de coisa que a gente fica com medo de falar pq todo mundo achou maravilhoso... acho que se fossem duas histórias ao invés de três, o ritmo ficaria melhor.

No filme The Spirit eu deixei de botar fé já nas primeiras imagens, ficou na cara que o Miller queria um Sin City 2 e "foda-se se a estética não combina, eu acho legal e tenho certeza que o véio ia gostar". Sorte dos dois o Eisner já estar morto...

Sabe o que eu acho que combinaria? O estilão daquele filme do Dick Tracy. O filme é bem fraquinho, mas o visual era bacana e combinava com esses quadrinhos estilo anos 50.

4 comentários:

Ana disse...

Eu juro que eu li Trapalhões com cabelo chapinha.
JURO!
Meu D´us, tou ficando louca... :-P

Lancaster disse...

Bom, pelo que parece não foi Sin City 2 – e a reação do pessoal foi porque o público esperava isso.
O Kyle Baker (quadrinhista e que já trabalhou com o personagem) fez a melhor crítica sobre essa reação geral aqui:
http://thebakersanimationcartoons.blogspot.com/2009/01/movie-review-spirit.html

Gabriela Martins disse...

Se o filme não é um "Sin City 2", então o material promocional e as propagandas são totalmente equivocados, porque dão essa impressão. Cagada das feias de alguém.

Li o artigo e bem, confesso que não gostei, não. Como não vi e nem pretendo ver o filme, não tenho uma base de comparação, então em várias partes fiquei sem saber o se o cara estava certo nas colocações dele.

Lancaster disse...

Realmente eu concordo. O trailer de divulgação estava bem sin city – e foi esse o motivo: boa parte das criticas são nos pontos que ele falou. Mas the Spirit era cômico e farsesco, embora volta e meia pudesse ser bem dramático.